
Água de rio inconstante
Quanta prosperidade me trazeis,
Cada vez que vos abraço
Alcanço um paraíso distante
De imagens abstractas, contudo, fieis!
Retrato fiel é o teu,
Mãe Oxum, poderosa divindade!
Vós que regeis a prosperidade
E as profundezas deste meu Eu.
Oxum, o poder de revitalizar
Toda a energia de um ser vivo
Está em vossas mãos;
Nessas águas que domais,
Com a bondade de apaziguar
Espadachins interiores que querem apunhalar.
Ajoelho-me junto à água
Do rio que só a ti obedece,
E, chorando, descarrego a mágoa,
Como quem a ti se oferece.
Tu, neste água espelhada,
Agitas a corrente
E banhas-me da cabeça aos pés;
Sinto-me leve; descarregada...
Imensa a vontade de seguir em frente!
Vale ouro esta “moeda”
Que serve de elo de ligação
Entre dois mundos distintos,
Mas, simultaneamente, similares:
Do rio és o bondoso coração;
Da Terra és a carinhosa mão
Que purifica e apazigua todos os lugares.


