sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Juventude em alvoroço

De artista a louca

Ainda hoje dou por mim parada no tempo relembrando passagens caricatas da minha vida estudantil. É extraordinária a forma como podemos retornar ao passado à velocidade da luz!
Numa altura em que o meu bilhete de identidade me situava cronologicamente nos dezasseis anos de idade, a minha mãe decidiu situar-me no tempo e no espaço... E, o facto é que a elaboração do enorme questionário que fez para ser minuciosamente respondido por mim, surtiu o efeito desejado; tal como toda a gente, o que ela pretendia era compreender o porquê de eu ter enveredado pela vida artística. Não nego que na altura me tenha engasgado um pouco a fazer esta “prova oral”, mas o resultado foi positivo ou pelo menos suficiente.
A principal ideia que o seu poder maternal tentava descodificar era a mais generalizada naquele tempo e não deixa de o ser nos dias que correm: a ideia da excentricidade de um artista irreverente, sempre associada à patologia de uma loucura cuja cura nenhum indivíduo sequer se atreveu a discutir.
Por muito que me tentasse abstrair desse rótulo de louca, o fervor e a ânsia de criar mais e com mais originalidade levava-me a flutuar nas nuvens... Um dia pela manhã, ao dirigir-me para o colégio achei que talvez devesse confrontar os meus colegas de turma com essa ideia que me tinham impregnado no sangue e que, por vezes, me alterava o fluxo sanguíneo. Abordei-os directamente, sem muitos rodeios e, qual não foi o meu espanto, quando se riram da minha indignação por ter sido rotulada dessa forma! Afinal, num ponto os meus pais tinham razão: eu andava mesmo abstraída da realidade! Se assim não fosse, ter-me-ia apercebido que toda a turma da área de artes do colégio, era apelidada de turma dos loucos. Depois do primeiro impacto denotei que o meu sangue circulava mais fluentemente e eu inspirava e expirava mais profundamente, num dialecto de quem mesmo indignada se sente aliviada.
Os momentos que se seguiram foram de risos e brincadeiras de jovens excêntricos que, uma vez obtida a fama, daí tirariam o devido proveito. Ao suar da campainha, a azáfama total: atropelos pelos corredores imensos parecendo não ter fim nessa hora; piropos atirados para o ar na esperança de que algum “louco” o agarrasse e demonstrasse a sua fúria de forma jocosa, etc.
Com o evoluir do ano lectivo, surgiu a necessidade peremptória de adaptação de cada um de nós à abordagem de temáticas que exigiam mais estudo e investigação. É neste preciso momento que revejo os meus ideais de vida; as vivências que nunca esquecerei porque serão eternamente uma fonte de sabedoria; olho com olhos de ver o futuro e defino metas a cortar, independentemente da forma como o tenha de fazer! Sobretudo, parei por instantes e, absorvida pelo eco do rótulo de “louca” nos meus ouvidos, decidi viajar até aos nossos artistas antepassados por forma a descobrir qual a origem e validade/ autenticidade do mesmo.
Disposta a viajar no tempo com toda a determinação, fui até à biblioteca mais próxima e devorei livros que continham biografias de grandes homens e mulheres da antiguidade, das mais diversas áreas. Fiquei estupefacta! As palavras: loucura e excentricidade, eram uma dominante naquilo que servia de documento de identificação de cada um desses indivíduos. Motivo?! Talvez um único: a forma de estar, de viver a vida de forma intensa como se de um último dia se tratasse e, o mais importante, o modo sui generis de agir e criar sem medo de represálias.
Suspirei de alívio, confesso! Afinal, a realidade dos factos provinha dos tempos mais remotos e eu, súbdita escrava do tempo laborava nessa mesma labuta.
Desde então, adoptei essa loucura como um traje de cerimónia do qual me envaideço, pois cada recorte de tecido constitui uma motivação para enfrentar o mundo!
Não o faço de uma forma superficial, mas penetro nas suas entranhas e moldo-o com a minha sensibilidade.
É o meu mundo! Cada indivíduo tem o seu. Porquê cercá-lo de preconceitos e estereótipos se cada qual é cada qual e a vida é para ser vivida e sentida como uma maré alta em dias de vendaval?!

domingo, 26 de outubro de 2008

Apresentação do livro "Um Sentir Partilhado"


Após um período de evasão da essência da minh'alma poética, eis que ressurge a sátira social na sua plenitude.

É já no dia 5 de Novembro, pelas 21h30m, na FNAC do GAIA SHOPPING, que decorrerá a próxima apresentação do meu livro "Um Sentir Partilhado". Contarei com a colaboração do escritor Danyel Guerra para apresentar o mesmo.

Conto, sobretudo, com a sua presença. Até breve!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O meu (nosso) sonhar será eterno!?



Oásis

Fui a arquitecta
De mil projectos que sonhei;
Enorme linha recta
No meu destino eu tracei...
Tudo para o criar
Eu bem sei:
Um imenso harém
Sem soberania,
Sem um sultão;
Nele, apenas haveria
Lindas odaliscas
Distintas da povoação!
E, caído como uma nuvem
De um suave algodão,
Desce diante do portão
E de suas imponentes paredes
Um oásis reflectindo
A frescura dos suaves verdes
Ao meu redor,
Se abanando e sacudindo
Como para compor uma canção...
Mesmo desconhecendo o seu autor,
A ele elevo o meu louvor,
Nobre herói compositor
Que ergue a bandeira,
Anunciando a vitória derradeira
Do verdadeiro sonhador!

domingo, 19 de outubro de 2008

Os trilhos da vida

Qualquer um pode carregar o seu fardo, embora pesado, até anoitecer. Qualquer um pode fazer seu trabalho, embora árduo, por um dia. Qualquer um pode viver mansamente, pacientemente, amistosamente, até que o Sol se ponha. E isso é o que realmente a vida requer.

Stevenson, escritor britânico

domingo, 12 de outubro de 2008

Quando a noite não se vai embora...

Assusta-me a noite e os seus contornos sombrios! Hoje amanheci com um estado de espírito sereno, mas com o rodar dos ponteiros do relógio, caí redonda no chão. O dia tinha sem dúvida chegado, já as suas cores, essas, pareciam ter-se perdido no tempo... Estarei eu também perdida?! É que hoje não me conheço: entreguei-me à preguiça; semicerrei os olhos um monte de vezes; passei longos momentos de isolamento, na necessidade de entender o porquê deste medo de enfrentar as cores na escuridão.
Sou cavaleira andante, há já muito tempo. Se me perdi algures, voltar-me-ei a encontrar, por agora, somente necessito de um regaço onde o meu cansaço possa repousar.
Que a noite chegue com alguma cor, porque sem luz não sei viver e preciso saber onde ela me conduz! Preciso perder o medo de ter medo...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

No auge do estado Zen...

Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo.

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Contemplando a beleza...

Árvores de um verde seco
se rendem à chegada do Outono.
Despem-se os seus ramos;
esvoaçam livres as folhas
que lhes serviam de cobertor;
corre a brisa, transformando o cenário...
No seio da Natureza se espelha assim um calendário
de transformações inactas.
Aquilo que nasceu, sempre permanecerá
numa era, em outras tantas...
Partes integrantes de uma quimera
quando saboreadas com prazer.
Loção eterna da beleza de viver!